22 de jun. de 2011

O Azul da Virgem - Tracy Chevaler

Tracy Chevaler – Escritora norte-americana, Tracy Chevalier nasceu a 19 de outubro de 1962, na cidade de Washington, onde cresceu e estudou. Desde muito cedo manifestou o desejo de vir a tornar-se escritora, compondo contos quando frequentava ainda o ensino secundário.Em 1984 obteve um diploma em Estudos Ingleses pelo Oberlin College de Ohio, dedicando os tempos livres ao seu esforço literário.

As protagonistas são duas: Isabelle du Moulin e Ella Turner.
O livro alterna entre o passado e o presente, contando a historia dessas duas mulheres.

A primeira, Isabelle du Moulin que viveu no século 16, França. Quando moça, na frente da igreja de sua comunidade, o sol refletiu na pintura da Virgem Maria em seu cabelo castanho, que se tornou vermelho. A partir desse dia, ela foi chamada de La Rousse (A Ruiva). No entanto, o Calvinismo tornou-se a religião dominante no pais, e a menina começou a ser perseguida e discriminada em sua cidade.
A família se muda de cidade, após Isabelle se casar com Etienne, um homem bruto, que no inicio parece que a respeita, porém se mostra violento com o passar do tempo.
A segunda mulher é Ella Turner, uma americana que se muda para a França quando o seu marido é transferido do trabalho. Após essa mudança, Ella começa a ter pesadelos, sempre com a cor azul. Com a ajuda do bibliotecário local, fazem viagens para descobrir mais sobre a história de seus antepassados – e descobre uma estranha ligação com Isabelle du Moulin.
O livro tem uma trama intrigante e forte, com mistérios e suspense, ao mesmo tempo que conta os problemas no casamento das duas mulheres.
Tem um lindo cenário histórico, conta um pouco da história dos huguenotes, a violência perpetrada ente católicos e protestantes, a viagem à Suíça - muito interessante.
É uma história onde os personagens parecem bem reais, mas com um toque de magia no ar.

Sou muito fã da autora, suspeita pra opinar, mas mesmo assim posso dizer com certeza que é um livro ótimo.

Nota: 10

9 de mai. de 2011

Daniel Pennac - escritor francês

Daniel Pennac nasceu em Casablanca, Marrocos, em 1944, e é filho de um oficial francês que servia nas colônias do país. É professor de língua francesa em Paris e apaixonado pela pedagogia. Pennac que morou em Fortaleza, no Brasil, por dois anos, na década de 1980. Em 2007, recebeu o prestigioso prêmio Renaudot por Diário da Escola.
Daniel Pennac enunciou esses direitos no seu livro  Comme un Roman, traduzido e publicado em português com o título Como um Romance (Daniel Pennac, Como um Romance, Edições ASA, 1992)
Chamou-lhes um desejo de afirmação Os Direitos Inalienáveis do Leitor.  Daniel Pennac proclamou 10 Direitos, a seguir:
1. O direito de não ler.
2. O direito de saltar péginas
3. O direito de não terminar um livro
4. O direito de reler
5. O direito de ler, não importa o quê
6. O direito de amar os "heróis" dos romances
7. O direito de ler, não importa onde
8. O direito de saltar de livro em livro
9. O direito de ler em voz alta
10. O direito de não falar do que se leu


2 de mai. de 2011

Decamerão - Bocaccio

Giovanni Boccaccio, nascido emFlorença, foi um autor e poeta italiano. Filho de um mercador, Boccaccio não se dedicou ao comércio como era o desejo de seu pai, preferindo ser escritor, talento que se manifestou deste jovem. Foi autor de diversas obras, incluindo Decamerão, o poema alegórico Visão Amorosa (Amorosa visione) e De claris mulieribus, uma série de biografias de mulheres ilustres. O "Decamerão" fez de Boccaccio o primeiro grande realista da literatura universal.

Escrito entre 1348 e 1353, com subtítulo de Príncipe Galeotto, o Decamerão marca com o período o fim da Idade Média, vivido na Europa com após o advento da Peste Negra. A história se passa nesse período de terror da doença.
Dez jovens (sete moças e três rapazes) fogem das cidades tomadas pela pandemia que dizimava o continente europeu, e se recolhem em uma casa de campo.
Aconselhados por Pampinéia, a mais velha entre as mulheres, estabeleceram que escolheriam um chefe para o grupo para cada dia.
As moças tinham idade entre 18 e 28 anos, eram bonitas e de origem nobre, e seu comportamento honesto. Encontram-se por acaso na igreja de Santa Maria Novela, resolvem continuar juntas e logo surgem três moços, com idade a partir dos 25 anos, bem educados, que são chamados a se recolherem, fugirem da cidade, para não contrairem a doença.
A narrativa se passa durante o flagelo da peste negra, e ilustra a doença, com as manifestações, evolução, sintomas, e a reação das pessoas diante da perspectiva da morte. Critica a religião católica dominante naquele momento, e a medicina praticamente ineficaz.
Um trecho abaixo, mostra a descrição da peste negra, logo no início da obra, pois a doença é a razão e o motivo de todo o livro:
...tínhamos já atingido o ano ... de 1348, quando, na mui importante cidade de Florença... sobreveio a mortífera pestilência... nenhuma prevenção valeu, baldadas todas as providências dos homens... Nem conselho de médico, nem virtude de mezinha alguma parecia trazer a cura ou proveito para o tratamento.
A peste, em Florença, não teve o mesmo comportamento que no Oriente. Neste, quando o sangue saía pelo nariz, fosse de quem fosse, era sinal evidente de morte inevitável... apareciam no começo, tanto em homens como em mulheres, ou na virilha ou na axila, algumas inchações... a que chamava o povo de bubões... - passava a repontar e a surgir por toda a parte. Em seguida, o aspecto da doença começou a alterar-se; apareciam manchas escuras ou pálidas nos doentes. Nuns, eram grandes e espalhadas; noutros, pequenas e abundantes."
Para passar o tempo, os jovens escondidos resolvem que cada um contará uma história, denominada “novela”, sendo que o livro tem um total de 100 novelas.
São historinhas interessantes, sempre com uma lição de moral no final, onde o bem triunfa. Apesar de enaltecer o cristianismo, critica em demasia a Igreja Católica da época, através de suas histórias bem parciais.
Interessante, contudo, fica repetitivo, pois são sempre as mesmas ideias demonstradas, sempre contra as religiões, e a favor de se fazer o bem, mesmo sendo contados por 10 personagens diferentes.
Nota: 07

7 de abr. de 2011

Cristo Senhor– A Saída do Egito - Anne Rice

Cristo Senhor– A Saída do Egito - Anne Rice

Anne Rice – escritora nascida em Nova Orleans, Louisiana, em 04 de Outubro de 1941, é autora de várias séries de terror e fantasia.
Nascida com o nome de Howard Allen O'Brien, ela mesma escolheu 'Anne' como primeiro nome, ao entrar na escola. Sempre escreveu obras com contos de vampiros e bruxas. Em 2005, se converte ao cristianismo, e resolveu fazer uma longa pesquisa sobre a vida de Jesus, em documentos hitóricos e nos Evangelhos, resultando na série “Cristo Senhor”.
O primeiro livro, “Cristo Senhor– A Saída do Egito”, trata-se de uma obra diferente de tudo que já foi escrito, que transforma uma obra histórica em romance.
O maior diferencial deste livro, é a narração em primeira pessoa, narrada pelo próprio Jesus Cristo!
Conta como foi a infância de Jesus Cristo baseado nos evangelhos, tanto nos sagrados quanto nos apócrifos.
A autora conta com base nas verdades de fé. Por ser uma pessoa religiosa, não viaja em histórias ou divagações mirabolantes, nem questiona a divindade de Jesus. Sempre se atém às Escrituras, e as partes apócrifas são sempre condizentes com a Bíblia, não fogem do cristianiscmo.
São contadas histórias interessantes, e este primeiro livro mostra a infância de Jesus, onde Ele toma consciência de que era diferente das demais crianças e tentava entender por que isso acontecia.
Desde o início do livro, são descritos alguns milagres feitos por Jesus ainda criança, como dar vida a pássaros de barro moldados durante uma aula em Alexandria, no Egito, faz cair neve. Por não ter anda dimensão de seus dons, o filho de Deus mata Eleazar, um menino, enquanto brincavam com um pouco de violência, mas acaba trazendo-o de volta à vida, causando uma grande confusão. Depois disso, Jesus fica cada vez mais curioso a respeito de seu passado e das histórias de seu nascimento.
Entre os acontecimentos, são apresentados alguns parentes de Jesus, como alguns irmãos por parte de José, alguns primos e amigos. Há uma pequena menção ao seu primo João Batista, mas sua mãe nada lhe conta deste primo distante, que resolveu morar no deserto.
Ele sabe que não é filho de José, mas tanto o carpinteiro quanto Maria o proíbem de fazer perguntas, dizendo que lhe contarão tudo quando chegar a hora. Jesus sempre tem muita vontade de fazer muitos milagres, quando vê algo errado à sua volta. Mas seus pais não permitem, para não causar confusão.
Com o passar do tempo, Jesus começa a entender sua história, conversa com um rabino, que o admira por sua inteligência, e ao final, sua mãe Maria finalmente decide revelar tudo.
Bem diferente, e muito bom por não fugir da história das Escrituras.
Nota: 10

5 de abr. de 2011

Anjos Caídos – Tracy Chevaler

Anjos Caídos – Tracy Chevaler

Tracy Chevaler – Escritora norte-americana, Tracy Chevalier nasceu a 19 de outubro de 1962, na cidade de Washington, onde cresceu e estudou. Desde muito cedo manifestou o desejo de vir a tornar-se escritora, compondo contos quando frequentava ainda o ensino secundário.Em 1984 obteve um diploma em Estudos Ingleses pelo Oberlin College de Ohio, dedicando os tempos livres ao seu esforço literário.
O título Anjos Caídos, traduzido do inglês: Falling Angels, é o livro de Tracy Chevalier, lançado em 2001.
A obra conta a vida de duas famílias inglesas vivendo na Londres da época eduardiana, confirmando assim a sua grande admiração pela História.
Duas famílias vizinhas, cujas filhas tornam-se muito amigas, têm um relacionamento amigável com Simon, filho e ajudante do coveiro.
É uma história sobre amizades de infância, descoberta da fragilidade humana, aborda também a mudança de um país, a luta das mulheres pelo voto e o preconceito contra as mulheres que lutaram por um ideal.
Inicia-se em janeiro de 1901, um dia após o falecimento da rainha Vitória: duas famílias visitam túmulos vizinhos, num elegante cemitério londrino. Uma das sepulturas é adornada com uma sentimental estátua de anjo; a outra, com um jarro primoroso.
A família Waterhouse, apegada às tradições vitorianas, reverencia a falecida rainha, choram em seu luto; já os Coleman buscam uma sociedade mais moderna.
Para desconforto de ambas as famílias, as duas famílias passam a se relacionar quando suas filhas ficam amigas por trás das lápides.
A história se passa praticamente inteira dentro de um cemitério, e as crianças se tornam amigas também do filho do coveiro, um garoto que está sempre sujo de terra. As meninas vão crescendo, e o novo século aparece, com os carros substituindo os cavalos no transporte e a eletricidade acabando com a iluminação a gás - o país surge das sombras dos opressivos valores vitorianos para o dourado verão eduardiano.
É então que a jovem e frustrada sra. Coleman busca mais liberdade, deixa o tédio de lado e entra na militância a favor do voto feminino, no início do século vinte, na Inglaterra, lutando por um ideal no qual acredita. Seus atos têm conseqüências desastrosas, e a vida dos Coleman e dos Waterhouse sofre sérias mudanças.
Um romance denso, escrito de forma excepcional, narrando os sentimentos tanto da sra. Coleman quanto de sua filha, dos seus amigos... Cada capítulo é narrado por um personagem diferente, o que dá maior emoção, pois sabemos o pensamento de todos ao mesmo tempo.
É triste e feliz ao mesmo tempo, ficção se mistura com história real, como em outros romances da autora.

Nota: 10

Moça com brinco de pérolas – Tracy Chevaler

Moça com brinco de pérolas – Tracy Chevaler

Tracy Chevaler – Escritora norte-americana, Tracy Chevalier nasceu a 19 de outubro de 1962, na cidade de Washington, onde cresceu e estudou. Desde muito cedo manifestou o desejo de vir a tornar-se escritora, compondo contos quando frequentava ainda o ensino secundário.Em 1984 obteve um diploma em Estudos Ingleses pelo Oberlin College de Ohio, dedicando os tempos livres ao seu esforço literário.
O título Moça com brinco de pérolas, traduzido do inglês: Girl With A Pearl Earring, é o livro de Tracy Chevalier escrito enquanto esperava o nascimento do seu primeiro filho, lançado em 1999.
A obra fala da vida do pintor holandês do século XVII Vermeer, e a sua relação com a moça, modelo do seu quadro que tem o mesmo título do romance de Chevalier.
Com apenas dezesseis anos de idade, Griet torna-se criada na casa onde vive o pintor, e estabelece com ele uma cumplicidade que nenhuma outra pessoa da casa, mesmo da família, teria.
Esta cumplicidade é discreta, implícita nos pequenos detalhes, e a moça acaba se apaixonando pelo pintor, que, apesar de não corresponder, a trata diferente das outras pessoas.
Quando o pintor decide pintá-la, isto gera o a inveja das outras mulheres, e a pequena sofre ainda mais.
Livro doce, meigo, que recria o ambiente do pintor e suas manias.
Maravilhoso, é o romance de maior sucesso da autora até hoje, com razão.

Nota: 10

Viva Chama – Tracy Chevaler

Viva Chama – Tracy Chevaler

Tracy Chevaler – Escritora norte-americana, Tracy Chevalier nasceu a 19 de outubro de 1962, na cidade de Washington, onde cresceu e estudou. Desde muito cedo manifestou o desejo de vir a tornar-se escritora, compondo contos quando frequentava ainda o ensino secundário.Em 1984 obteve um diploma em Estudos Ingleses pelo Oberlin College de Ohio, dedicando os tempos livres ao seu esforço literário.
O título Viva Chama, traduzido do inglês: Burning Bright, é o mais recente livro de Tracy Chevalier traduzido no Brasil. (Rio de Janeiro, Record: 2009).
É a história de uma família que sai de um vilarejo na Inglaterra, muda-se para Londres, a convite do dono de um circo. O pai, marceneiro, especialista em cadeiras, vai para Londres para ser carpinteiro do circo, juntamente com a mulher e os filhos, Maisie, uma menina tímida, e seu irmão mais velho Jem. É narrada a amizade das crianças com Maggie, filha de vizinhos, que mostra aos novos amigos, considerados “caipiras do interior”, sua esperteza de menina da metrópole.
Um casal — William Blake, poeta e pintor, e sua esposa — que mora no mesmo grupo de casas, é olhado com curiosidade e desconfiança pelos vizinhos, e acaba se tornando amigo das crianças.
Assim, tem início a narrativa deste poeta, no qual são mostrados alguns de seus poemas para as crianças, que ficam fascinadas.
Todos os personagens, seja com grandes ou pequenas participações na história, apresentam duas facetas: boa e má, inocente e experiente, seriedade e brincadeiras.
Juntamente com os pensamentos do poeta William Blake, que desenha, faz poesias e faz referências políticas, é mostrado o mundo de ilusões do circo, que fascina adultos e crianças, por ter a capacidade de tirar as pessoas do mundo real.
Um dos diálogos do poeta com as crianças:
– Sim, minhas crianças. A tensão entre os opostos é o que nos faz ser como somos. Não somos apenas  uma coisa, mas o oposto dela também, misturando, se chocando e faiscando dentro de nós.  Não apenas luz, mas escuridão.  Não só paz, mas guerra.  Não só inocência, mas conhecimento.  – Ele descansou o olhar um instante na margarida que Maisie ainda segurava.  – É uma lição que precisamos aprender: ver o mundo todo numa flor… [p. 230].

Tracy Chevalier fala sobre artes, como poesia, pintura, e até mesmo filosofia, de uma maneira leve, mesclando com as divertidas aventuras de 03 crianças, que estão nos seus primeiros anos da adolescência.
Romance que mistura realidade com ficção.
Tão bom que, a partir dele, iniciei a leitura da obra do poeta Willian Blake.

Leitura obrigatória.

Nota: 10